A realização da COP 30 em Belém, em 2025, terá impactos profundos para o Brasil, influenciando a diplomacia, a economia e as políticas ambientais. O evento representa uma oportunidade única para o país se consolidar como protagonista nas negociações climáticas globais, reforçando sua imagem de defensor da Amazônia e da transição para uma economia verde. No entanto, essa visibilidade também trará maior pressão internacional para que o Brasil assuma compromissos mais ambiciosos na redução das emissões de gases de efeito estufa e no combate ao desmatamento ilegal.
Além disso, a COP 30 precisará resgatar a confiança da comunidade internacional após a COP 29, em 2024, que falhou em definir como e quando os países mais ricos devem contribuir financeiramente para auxiliar os mais pobres no enfrentamento da crise climática. Esse será um dos desafios centrais do evento. A urgência desse financiamento se evidencia, por um lado, pelo aumento da frequência e intensidade dos desastres climáticos, que impactam especialmente os mais vulneráveis, e, por outro, pela necessidade de acelerar a transição energética, já que o setor privado responde por cerca de 76% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Outra questão de extrema relevância para o Brasil, o desmatamento e a degradação florestal são responsáveis por uma parte significativa das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no país e correspondem a 11% das emissões totais. Essas atividades, principalmente nas regiões amazônicas e no Cerrado, têm contribuído de maneira considerável para as mudanças climáticas globais, colocando o Brasil em uma posição central quando se trata da preservação de ecossistemas florestais e da redução de emissões. A redução do desmatamento e a restauração de áreas degradadas são consideradas essenciais para atingir as metas climáticas globais e para evitar impactos irreversíveis, como a perda de biodiversidade e o agravamento das mudanças climáticas. O Brasil, com suas vastas florestas, tem o potencial de se tornar um líder global na mitigação das mudanças climáticas, caso consiga reverter a tendência de aumento do desmatamento e proteger suas florestas de maneira eficaz.
No âmbito econômico, a COP 30 pode impulsionar investimentos estrangeiros em setores estratégicos, como energias renováveis, bioeconomia, reflorestamento e o mercado de créditos de carbono ligados à Amazônia. Espera-se também que o evento acelere a adoção de práticas ESG pelas empresas brasileiras, especialmente nos setores marítimo e offshore, cuja operação é impactada pela flutuação dos preços dos combustíveis e pelas rigorosas metas de emissões definidas pela IMO para 2030. Tecnologias como a hibridização das embarcações e a eletrificação portuária (shore power) são exemplos claros desse potencial. Além disso, o Brasil pode aproveitar seu ambiente favorável de exploração e produção de óleo e gás para implementar medidas eficazes de descarbonização, como o abastecimento das unidades offshore por fontes renováveis e iniciativas voltadas ao crescente mercado de descomissionamento sustentável, fortalecendo sua competitividade global.
Atualmente, embora 85% das empresas reconheçam a sustentabilidade como uma vantagem competitiva, apenas 16% conseguiram integrá-la efetivamente às suas operações, segundo o estudo Global Sustainability Barometer, da Ecosystm. Isso revela um grande desafio: transformar o desejo por sustentabilidade em ações concretas e operacionais. Tecnologias para transição energética não faltam, mas são necessárias medidas concretas por parte tanto dos governos quanto da iniciativa privada para adotá-las em larga escala, como sistemas de captura e armazenamento de carbono, eletrificação no âmbito da infraestrutura portuária verde e hibridização das embarcações, tecnologias que poderão ter seus investimentos acelerados durante a COP 30.
No aspecto regulatório, o governo enfrentará uma fiscalização internacional mais rigorosa sobre suas políticas ambientais e precisará adotar medidas eficazes de preservação para garantir credibilidade. O agronegócio, setor crucial para a economia brasileira, também estará no centro das atenções, com uma crescente exigência por rastreabilidade da produção e práticas sustentáveis, evitando a associação com
o desmatamento ilegal. Neste sentido, pode-se destacar o papel estratégico das hidrovias brasileiras para o escoamento sustentável da produção do agronegócio, reduzindo emissões no transporte de cargas e ampliando a competitividade do setor.
Dessa forma, a COP 30 representa não apenas uma oportunidade estratégica para o Brasil se posicionar como líder na agenda climática global, demonstrando capacidade de conduzir iniciativas contundentes na redução de emissões, alinhadas às principais vocações do país – como o desenvolvimento de biocombustíveis avançados –, e servindo também como um teste de comprometimento para o governo e o setor privado, que precisarão demonstrar ações concretas para atender às expectativas ambientais e econômicas globais.
Fontes: https://veja.abril.com.br/coluna/neuza-sanches/meio-ambiente-empresas-se-antecipam-a-cop-30-para-proteger-a-amazonia#google_vignette https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/03/18/as-vesperas-de-sediar-cop30-brasil-ve-resistencia-do-congresso-a-temas-ambientais-aumentar.ghtml https://www.gbcbrasil.org.br/cop-30-no-brasil-o-que-e-tendencias-e-importancia-para-construcoes/