O que definiu a primeira semana da COP 30?

Defendendo que Belém será o lugar onde renovaremos nosso compromisso com o Acordo de Paris, o Brasil conduziu a aprovação da agenda de forma rápida, evitando impasses iniciais, e colocou a Amazônia e a conservação florestal no centro das discussões.

Logo nos primeiros dias, cientistas e organismos internacionais apresentaram dados alarmantes indicando que o mundo caminha para um aquecimento de cerca de 2,5 °C, muito acima dos 1,5 °C desejados. Relatórios da WMO e de centros de pesquisa destacaram que a janela de oportunidade para limitar o aquecimento está se fechando rapidamente, pressionando as negociações por decisões mais ambiciosas.

O tema financiamento climático tornou-se um dos mais sensíveis: países em desenvolvimento exigem recursos novos, previsíveis e adicionais — não apenas reembalados como ajuda climática. Como resumiu Marianne Lotz, do WWF-Alemanha: “Sem financiamento adequado e previsível, o limite de 1,5 °C está em sério risco, e comunidades vulneráveis sofrerão danos irreversíveis”. Já negociadores da Índia enfatizaram que sem clareza sobre financiamento por parte dos países ricos, conforme previsto no art. 9.1 do Acordo de Paris, qualquer ambição será insuficiente.

Nesse contexto, a discussão sobre monitoramento, transparência e integridade de dados climáticos ganhou relevância, especialmente diante das exigências crescentes do Artigo 13 do Acordo de Paris e dos novos padrões de reporte corporativo. Plataformas como o Enform destacam-se como soluções capazes de integrar inventários de GEE, gestão de metas, avaliação de riscos climáticos e mecanismos de auditoria interna. Ferramentas como o Enform tem papel estratégico ao permitir que compromissos climáticos saiam do discurso e avancem para rotinas concretas de gestão, compliance e prestação de contas.

A adaptação também ganhou espaço, com longas disputas sobre como estruturar o Objetivo Global de Adaptação (GGA) e como medir seu progresso. Paralelamente, o debate sobre a transição dos combustíveis fósseis, embora não constasse oficialmente da agenda, dominou boa parte das conversas. Mais de 60 países apoiam um roteiro global de eliminação (phase-out), mas outros 40 resistem firmemente, incluindo grandes produtores de petróleo e gás. A ministra Marina Silva resumiu o dilema ao dizer que, “Quando temos um terreno ou meio bastante severo, é bom que tenhamos um mapa. Mas o mapa não nos obriga a viajar, ou a subir.”

Ao final dessa primeira fase, temas cruciais permanecem em aberto: o escopo e o monitoramento da adaptação, o volume e a origem do financiamento climático, a inclusão (ou não) de um plano global de transição energética e a definição de mecanismos que garantam justiça e equidade entre países. A expectativa é que a próxima etapa seja decisiva para destravar esses pontos e determinar se a COP30 cumprirá o papel de virar o jogo na crise climática.

O que esperar da segunda semana?

A segunda semana da COP30 deve ser marcada por negociações políticas intensas, com foco especialmente na transição dos combustíveis fósseis. Apesar do phase-out não estar formalmente na agenda, a pressão internacional deve levar à construção de um texto intermediário que fale em “redução acelerada” ou “transição justa”, evitando confrontos diretos com grandes produtores de petróleo e gás.

O financiamento climático será o principal fator para destravar impasses, com possíveis novos aportes para adaptação, perdas e danos e apoio ao Sul Global. Países africanos e latino-americanos devem reforçar a necessidade de recursos realmente adicionais. Na adaptação, espera-se apenas um avanço básico: um texto orientador e metas qualitativas até que indicadores detalhados sejam definidos.

Politicamente, a semana tende a ser tensa e prolongada, com resultados medianos, mas possivelmente sólidos caso haja coordenação entre Brasil, União Europeia e pequenos Estados insulares — ainda que longe de um acordo transformador.

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